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Testemunhos do nosso tempo

O Fotógrafo pode-se dizer é o antípoda do Ator; enquanto o Ator, mesmo fora de cena, é presença; o Fotógrafo é ausência. Assim o personagem fotógrafo não pode ser encontrado pelo ator, não participa da cena; é testemunha do tempo e registra sua ausência; nenhuma luz siquer sombra.

O Fotógrafo como a fotografia toma emprestado as linguagens legitimadas da História da Arte e do Humanismo e quando fotografa Teatro a gramática é a Luz, a luz do Teatro; Cinema a linguagem é do filme, do Diretor. Quando fotografa para uma revista é repórter fotográfico, para jornal é foto-jornalista mas os veículos, gramáticas e linguagens são emprestados da Imprensa, Ensaios de Literatura, História da Arte e o que resta para a fotografia é ser livre! Liberta de gramáticas e linguagens mas prisioneira da ausência.

É pois a fotografia primeiro sentida, depois Ah!... depois? Bem depois é depois não é mesmo?

Abelardo Alves outono/inverno de 2000

Ps: E como já escreveu "Cortázar": "Hay que ser realmente idiota para se emocionar com o Trem bufando na Gare de Lyon se à noite no Teatro tem Shakespeare".